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quarta-feira, 5 de março de 2014

Entrevista: Jarbas Marques.

Jarbas Silva Marques
A Comissão Nacional da Verdade tem uma origem esdrúxula

O ex-preso político diz que o governo Dilma está adotando a cultura da ditadura militar e ainda revela comportamentos do José Genoíno na Guerrilha do Araguaia

O jornalista Jarbas Silva Marques, de 73 anos, é considerado o ex-preso político mais torturado do Brasil. Ele fez parte do Partido Comunista Brasileiro. Trabalhou na revista ISTOÉ, no jornal Correio Braziliense, Jornal Opção e hoje é presidente do Instituto Histórico e Geográfico do DF.

Por Hícaro Teixeira




Cotidiano - O sr. foi torturado durante quantos anos?

Jarbas - Durante 10 anos. Fui torturado aqui em Brasília em 1967 pela equipe do coronel Beira Matos, que tinha chegado da invasão de São Domingos em 1965. Em 67 fui considerado o preso político mais torturado do Brasil. Quebraram a minha cabeça com pauladas (pegue aqui no meio - olha o buraco). Sofri uma tortura no quartel do BGP chamada escovão. Me afogaram em um latão com urina e fezes dos presos. Isso entrou nos meus ouvidos.
Cotidiano - Ficou preso apenas em Brasília?
Fiquei nas piores cadeias do país, de celas cavadas na rocha, em Fortaleza de Santa Cruz da Barra no Rio de Janeiro e na Ilha Grande. A minha perna direita não tem ligamento muscular, pois quebraram e arrebentaram. Usei muletas por muito tempo. Fizeram tortura sexual comigo, eu tenho varizes na bolsa escrotal. Usaram o meu corpo para dar aula de tortura. Enfiaram éter no meu ânus várias vezes - eu sentia minha língua inchar. Colocaram um jacaré em cima de mim, o comandante trouxe do Amazonas. O animal me deu várias dentadas no braço.    

Cotidiano - O sr. foi convocado para depor na Comissão Nacional da Verdade?
Jarbas - Não! Eu sou incomodo. Cotidiano - Por que? Eles não estão trabalhando como deveriam? Há conflitos políticos lá dentro, né?
Jarbas -  Essa Comissão tem uma origem esdrúxula. Quem mandou o projeto para o Congresso Nacional foi o ex-presidente Lula, e ele mandou porque a Justiça Federal do Brasil condenou o Estado. Lula não obedeceu a Justiça e aí as famílias dos guerrilheiros do Brasil correram para o tribunal da Organizações dos Estados Americanos (OEA). Essa comissão  foi uma origem esdrúxula, foi uma manobra do Lula e do PT para esconder que eles foram condenados. A dona Dilma não recebeu nenhum familiar dos desaparecidos direito. Não recebeu nenhum ex-preso político e fez a composição sem nos ouvir. A primeira composição disso foi a manobra para fazer apenas um relatório. Fomos nós que questionamos a crise. Eles não procuraram nada.  Isso tudo é um jogo de cena.
Cotidiano - O Palácio do Planalto está pressionando o Senado para que seja aprovado o projeto que enquadra protesto de rua como “ato terrorista” - quem for detido será penalizado com 30 anos de prisão. Podemos dizer que existe um viés ao AI-5?
Jarbas - Não é viés com o AI-5, porque ele foi uma fase da ditadura. O que o governo petista está reanimando é uma cultura repressiva - que é a cultura da ditadura. Tudo isso é uma estratégia de volta das ditaduras a nível continental. Essa legislação é mais fácil para conter a repressão política. Isso se deu nos Estados Unidos quando o pessoal fez a mobilização em Wall Street.
Cotidiano - Inclusive, o Ministério da Defesa criou um manual de conduta para os militares agirem com rigorosidade contra os manifestantes na Copa, taxando eles de “forças oponentes”. O que observa nessa questão?


Jarbas -  Isso é um Estado policial. A mesma doutrina de segurança nacional que os americanos fizeram no Rio Grande no México. Tudo isso é ditadura! É um ato policial. O exército, marinha e aeronáutica passam a ser a polícia.


Cotidiano - A ONU cobra explicações do Brasil sob o uso excessivo de força policial nas manifestações. A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República recebeu a carta, mas não há nenhuma resposta do governo federal até agora. O que o sr. acha?
Jarbas - A quinze dias atrás ocorreu um fato exponencial. Se você é assaltado aqui, demora uma hora para a polícia civil chegar, mas se você faz uma luta representando qualquer princípio de luta política, aparece polícia em 5 minutos. A máquina está preparada para matar. A Constituição diz que temos o direito de ir e vir. Eles colocam a polícia para as pessoas não transitarem. Eu como jornalista e militante político testemunhei aqui em Brasília que a maioria desses black blocs eram agente policial infiltrados para justificar a repressão. No Itamaraty quando houve aquela manifestação aconteceu um fato: quem faz a segurança são os fuzileiros navais, só que os jornalistas não contavam isso. Um dos sujeitos que estava depredando era fuzileiro naval da guarnição do Itamaraty, e os colegas dele deixaram ele entrar tranquilamente.
Cotidiano - E a tática do ‘pelotão ninja’ (batalhão especializado em artes marciais e sem armas de fogo), se compararmos com as manifestações na sua época contra o regime militar?
Jarbas - Eles já fazem isso a muito tempo, a maioria dos torturadores eram instruídos em artes marciais.


Cotidiano - Na sua época existia isso?


Jarbas - Sim! Em Goiânia naquela época existia um torturador chamado Hugo Nakamura, e ele fazia luta livre e judô. Aqui em Brasília o primeiro instrutor era o ex-kamikaze Ninomiya.

Cotidiano - 117 jornalistas foram agredidos nas manifestações de junho, segundo a Abraji. E na primeira manifestação contra Copa do Mundo, em São Paulo, 14 jornalistas foram detidos pela PM.


Jarbas - O que aconteceu com a mídia ninja? Eles filmaram um major colocando na mochila dele um coquitel molotov pra jogar na polícia. E tudo isso foi provocação da polícia.


Cotidiano - A presidente Dilma Rousseff ressaltou em Bruxelas que o Brasil defende a liberdade de imprensa, e disse que não houve repressão. Por que isso?

Jarbas - Isso é um cinismo. Primeiro que o PT está tentando fazer o controle da imprensa. Por que a polícia dela bate e prende jornalista? Ela fala uma coisa e faz outra.

Cotidiano - José Genoíno era militante do PC do B?

Jarbas -  Sim. Você está falando com a pessoa que fez um relatório central para o PC do B sobre o comportamento do Genoíno na guerrilha do araguaia. Foi um comportamento de um delator e de colaborador com a repressão política - tenho documentos comprovando.

Cotidiano - O sr. ainda se considera ainda como um comunista? Qual é sua visão sobre o comunismo hoje em dia?
Jarbas - Sou comunista leninista. E hoje esses caras ficam pagando vaquinha para o Genoíno, José Dirceu e Delúbio Soares.

Cotidiano - Alguns militares alegam que se não tivessem feito o Golpe, o Brasil seria tomado por Comunistas. Segundo eles, haveria oportunidades para ser implatada uma ditadura. O sr. concorda?

Jarbas -  Kennedy que preparou o golpe de 64 no Brasil. E o golpe não começa em 64, começou na Itália quando o tenente Humberto de Alencar Castello Branco é cooptado pelo general americano Vernon Walters para voltar ao Brasil e fazer escola superior de guerras para preparar uma elite civil e militar para dar um golpe. Mataram o Getúlio Vargas, tentaram acabar com a Petrobrás.    


Cotidiano - Militantes do Partido Comunista Brasileiro tinham ligações com o ditador cubano Fidel Castro. A novela Amor e Revolução do SBT mostrou isso. Alguns trouxeram armas para o Brasil…

Jarbas -  Desinformação. Fidel Castro e Che Guevera e mais 22  jovens fizeram a revolução cubana na beirada dos EUA, há 180 Km. Então o mundo viveu uma febre revolucionária com Fidel e Che. Inspirou toda uma geração de idealismo. Cotidiano - Mas o Fidel matou muita gente…


Jarbas - Isso é o que você diz por ignorância e por estar intoxicado! Ele matou torturador e não foi ele que matou, foram os tribunais revolucionários. Se você conhecesse e não tivesse repetindo o que os americanos dizem… Ele matou torturador assessorado pela CIA. Vou só te contar um fato: eu tinha ligações... Eu era dirigente estudantil e partidário. A máfia controlava Cuba. Ela era um puteiro dos EUA. Tinha drogas, tortura sexual e etc. Vocês ficam repetindo essa porra até hoje intoxicado pelos americanos.     

Cotidiano -  O que o sr. acha do general Newton Cruz, que foi ex-chefe da agência central do SNI (Serviço Nacional de Informações)?


Jarbas - Está sendo processado até hoje. Fizeram o atentado do Riocentro pra dizer que não tinha condição de eleição direta. A mesma equipe que matou a equipe do jornalista Mário Eugênio era subordinada ao Octávio Medeiros na agência central do SNI. O Cruz queria entrar no lugar do ex-presidente Ernesto Geisel. O sargento do Exército Antônio Nazareno Mortari Vieira falou bêbado na Papuda que ele e o pessoal da equipe saiu a mando de Cruz para matar o jornalista no Rio de Janeiro.   


Cotidiano - O sr. estava preso no período do atentado do Riocentro?

Jarbas -  Nesse período não. Eu estava fazendo tratamento no hospital  Sarah Kubitschek em Brasília por causa das torturas. Fiquei 3 anos e meio fazendo fisioterapia lá.


Cotidiano - Eles estavam preparando um novo atentado naquele período. Ele saiu em 1981, mas em 1983 estava planejado mais um. Qual é sua visão?

Jarbas - Eles cometeram vários atentados. Eu participando em lutas da anistia, eles jogaram várias bombas entre eu e a mãe do Jorge Júnior. Fora os atentados que mataram muita gente.

terça-feira, 4 de março de 2014

Líder do PMDB, Eduardo Cunha, ataca PT e Rui Falcão no Twitter

Por Hícaro Teixeira
O líder do PMDB na câmara, o deputado federal Eduardo Cunha, afirmou nessa terça-feira (04) na rede social Twitter, que é melhor o partido repensar na aliança com o PT. Segundo ele, o PMDB não é respeitado pelo PT". 

"A bancada do PMDB na Câmara já decidiu que não indicará qualquer nome para substituir ministros.Pode ficar tudo para o Rui Falcão", afirma Cunha em seu perfil no Twitter. 

Cunha comentou em uma conversa com um internauta no Twitter, que pretende expor os fatos à bancada do partido. "Farei isso na reunião, já chamada para terça-feira dia 11 de março às 14h", disse. 

Revoltado, ele postou que "está realmente começando a achar boa a ideia de antecipar a convenção do PMDB". Ele também disse que o presidente do PT, Rui Falcão, está "doido" atrás de boquinhas no Rio de Janeiro. "Aliás, por onde passa o Falcão, mais difícil fica a aliança", ressaltou. 

Crise entre PT e PMDB

A crise entre o PT e o principal partido da base aliada, o PMDB, ocorre desde o início do governo da presidente Dilma Rousseff. Trocas de cargos nos ministérios foi o que afetou essa briga. Segundo a bancada do PMDB, a falta de acordo provocou crises no governo. 

No dia 27 de fevereiro, programa de televisão do PMDB, o partido não fez uma aposta no governo PT. Parece que foi proposital fazer um programa sugerindo a "não escolha" de Dilma ou governo. 


O programa que ignora Dilma foi ao ar no momento em que o partido está rebelado por causa da resistência da presidente em ceder um sexto ministério aos peemedebistas.



sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Aécio em primeiro lugar no DF

 (Foto: Camila Fontana/Editora Globo)
O tucano Aécio Neves lidera na capital com 22,9% das intenções de voto e a presidente Dilma Rousseff com 21,7% e o socialista Eduardo Campos marcando 8,7%, de acordo com a pesquisa do Instituto Dados, depois de ouvir 3 mil pessoas. As informações foram divulgadas na coluna do Felipe Patury, da revista Época. 

O Partido dos Trabalhadores assustou com o resultado da pequisa. O presidente do partido, Rui Falcão, reuniu as bancadas federal e local do PT para tentar reverter o quadro.




Tá tudo dominado. Por Hícaro Teixeira

Bruno Spada/UOL
O PT finalmente atingiu o principal objetivo: fez o STF (Supremo Tribunal Federal) absolver oito mensaleiros pelo crime de formação de quadrilha, durante o julgamento do mensalão. Se Zé Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares não são considerados uma quadrilha, o que são? Essa decisão deixou até o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, decepcionado.


"Esta é uma tarde triste para o STF, porque, com argumentos pífios, foi reformada, foi jogada por terra, extirpada do mundo jurídico, uma decisão plenária sólida, extermamente bem fundamentada, que foi aquela tomada por este plenário no segundo semestre de 2012", lamentou Barbosa.


Barbosa é um homem empenhado, que se dedica na luta contra corrupção. Pode ser odiado por muitos e amado pela torcida do Flamengo, mas acima de tudo, age como um cidadão brasileiro, mostrando toda indignação com o sistema judiciário, que infelizmente, hoje, está aparelhado.


Houve uma perseguição de alguns subjornalistas, militantes e deputados do PT com Barbosa até o final de 2013. Várias armadilhas foram construídas por eles. Até marketing! O ministro tirou férias entre os dias 20 e 30 de janeiro para proferir duas palestras na Europa e se reunir com ministros europeus, recebendo 11 dias de diárias num total de R$ 14.142,60, em missão oficial. Mas como vocês sabem, os petistas adoram criar situações, alegando que o STF beneficiou Barbosa e assim vai... Todos os petistas ficaram de butuca esperando o momento ideal para avançar.

Quem lembra da sessão solene que teve na Câmara dos Deputados, em que Barbosa sentou na mesa ao lado do vice-presidente da Câmara, deputado federal André Vargas (PT-PR), quando ele fez o gesto em homenagem aos mensaleiros quando foram presos? E ainda por cima enviou uma mensagem para um militante dizendo que iria dar uma cotovelada no ministro? Recordar é viver, não é?


A maioria dos ministros do STF foram escolhidos pelo presidente Lula. Ops! Pelo ex-presidente Lula e Dirceu antes do julgamento do mensalão, com o objetivo de livrar a quadrilha. Lula afirmou várias vezes em palaques “que o seu maior equívoco foi ter indicado Barbosa à Corte”.


A presidente Lula. Ops! A presidente Dilma Rousseff, no entanto, aliviou a situação dos mensaleiros indicando o ministro Luís Roberto Barroso e Teori Zavascki.  E quem não sabia que eles definiriam os votos decisivos, para rever a condenação na análise dos embargos infrigentes? O PT no momento está pouco se linchado para a sociedade. Jamais assumirão o caso do mensalão, maior julgamento da história do STF, e quem sabe do Brasil.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Tuma revela que PT recebeu 1 milhão e meio na campanha de Dilma.

Por Hícaro Teixeira

O ex-secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Junior, revelou, na segunda-feira (3), que o diretório nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) recebeu R$1 milhão e meio do banqueiro Daniel Dantas, dono do b
anco Opportunity, para "financiar a campanha da presidente Dilma Rousseff, nas eleições de 2010". As revelações foram feitas durante o programa Roda Viva, da TV Cultura. 

No programa, Tuma também revelou que a Operação Satiagraha da Polícia Federal (PF), a controle do governo Lula, foi uma encomenda para alvejar Daniel Dantas. "Quando eu era secretário bloqueei, por decisão judicial, o recurso do banqueiro Daniel Dantas.", ressaltou. 

"Quando fui exonerado em junho o dinheiro do Daniel Dantas foi bloqueado, por isso que eu falo que interromperam a Satiagraha. O meu trabalho foi interrompido pelo secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão", relatou.

Tuma confirmou ao vivo no programa, que o PT e o banqueiro Daniel Dantas tinham relações. Ele também revelou que lançará a segunda versão do livro Assassinato de Reputações "com mais revelações".

Fato

Romeu Tuma Jr foi ex-secretário nacional de Justiça do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tuma revela no livro Assassinato de Reputações - Um Crime de Estado, que o PT ordenava o Ministério da Justiça (MJ) a fornecer vários dossiês contra adversários da oposição. Segundo Tuma, foi fornecido um dossiê contra o governador de Goiás do PSDB, Marconi Perillo. 
Ele conta também que foi um dos primeiros a chegar na cena do crime e disse que Celso Daniel estava com a cueca ao contrário. “Ele tinha duas marcas de tortura”, conta 


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Entrevista: “Estou pronto para executar” - Izalci Lucas - PSDB

Izalci Lucas - PSDB
ESTOU PRONTO PARA EXECUTAR

Izalci Lucas eleva o tom das críticas ao governo Agnelo e diz que pretende fazer uma revolução na educação no Distrito Federal


Por Hícaro Teixeira


O deputado federal Izalci Lucas (PSDB-DF) foi eleito o melhor parlamentar no Distrito Federal e o quinto melhor do Brasil, segundo a pesquisa publicada pela revista Veja. Nas últimas eleições no DF, recebeu 97.914 de votos. Antes de ingressar na Câmara dos Deputados, como deputado distrital em 2002, apresentou 170 projetos na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Hoje ele é candidato para assumir a cadeira do Palácio do Buritis. "O grande desafio que temos hoje é unir a oposição para que possamos derrotar o PT", afirma Izalci nesta entrevista para o Cotidiano

Foto: William Santana
Foto: William Santana


Cotidiano -  Por que o sr. acredita que pode ser um bom governador?

Izalci - Minha pré candidatura me levou a uma programação: fui deputado distrital e tenho experiência no legislativo local. Também fui secretario de Ciência e Tecnologia no governo do José Roberto Arruda, por dois mandatos. Tenho trabalhado desde 2011 em um planejamento estratégico para o Distrito Federal nos próximos cinquenta anos. Aqui na Câmara dos Deputados fiz meu dever de casa. Mudamos completamente a legislação de ciência e tecnologia da informação, uma área que atuo muito e nós conseguimos mudar a Constituição. Na educação, aprovamos o Plano Nacional de Educação, que tive um papel fundamental nessa aprovação, inclusive, a aprovação dos royalties, que fui autor da emenda que possibilitou a entrada do recurso para educação, porque ia entrar só daqui a 20 anos. Então o meu dever de casa na área de ciência tecnologia e educação foi feito. Estou pronto para Executar.

Cotidiano -  E aquela acusação de um perfil ‘fake’ no facebook, que apontava um projeto de lei do sr., dizendo que excluiria a matéria de Filosofia e Sociologia do currículo escolar do ensino médio?

Izalci - Na prática é exatamente o contrário. Defendo a Filosofia e Sociologia na educação de um forma ampla. O problema é que hoje temos uma disciplina que não dá a mínima condição de você passar os conteúdos do que tem que ser feito, então é assim: o professor finge que ensina e o aluno finge que aprende. Então da forma que está não dá. Agora não tem ninguém mais do que eu, aqui, que luta por uma educação integral e tempo integral. Vamos ampliar muito a carga horária. O ideal é que o aluno fique pelo menos umas 10 horas nas escola. E, aí, com certeza você vai ampliar mais a questão da Filosofia e Sociologia. No Brasil como um todo, temos que trabalhar a Filosofia e Sociologia igual a todos os conteúdos, de uma forma diversificada. A minha defesa é nesse sentido de ampliar. Sempre apresentamos uma proposta. Nenhum projeto entra nessa casa sem um aperfeiçoamento.  É uma proposta inicial que os sociólogos, filósofos e educadores poderão entrar para contribuir pra melhoria do projeto, e criticar também.

Cotidiano - Então o seu forte é a educação, ciência e tecnologia?

Izalci - Evidente os grandes problemas… saúde, transporte e segurança que está um caos em Brasília. Não dá pra você investir só em educação. Sabemos que a educação é a solução pra todos os problemas - e não de curto prazo - mas longo. Queremos fazer uma grande revolução em Brasília na educação integral, valorizando os professores, criando o projeto da faculdade de educação em Brasília, mudando o sistema de concurso para professor e policiais e médicos. Hoje muitos são aprovados nesses concursos e depois não têm a mínima vocação para aquela coisa. Não adianta aprovar um candidato em um concurso que não tenha conhecimento na área pública, por exemplo, sem perfil de ser policial. Não adianta você selecionar um professor que não tenha capacidade de transmitir os conhecimentos para os alunos. Temos que ter um critério diferente de seleção, seja na área de saúde ou educação.

Cotidiano - A população do DF está cansada de politicagem. Ninguém aguenta mais discursos políticos. O sr. pretende fazer diferente?

Izalci - Nessa semana iremos começar as reuniões nas cidades. Vamos fazer um debate primeiro em Taguatinga, Guará e Águas Claras. Tem toda uma tabela. Vejo que a população nas próximas eleições não estarão votando em nomes ou em propostas assinadas e, principalmente, em promessas mirabolantes. O que pretendo é apresentar um projeto. Qual é o projeto que temos pra Brasília? Desde 2011, trabalho no movimento Brasília 100 anos, que é um planejamento estratégico pra cidade nos próximos 50 anos. O que era azul pintou de vermelho, como se fosse resolver os problemas. Queremos garantir um governo de unidade. Hoje cada secretaria é um partido diferente, sem integração. Parece que não é o mesmo governo. O que falta em Brasília é gestão.


Cotidiano - O governador Agnelo Queiroz (PT-DF) demonstrou para a população que trocou todas as empresas de ônibus. Ele diz que acabou com os cartéis no Distrito Federal. Qual é a sua visão?

Izalci - Todo o processo foi feito de uma forma irregular e fraudulenta. E quem diz  isso não sou eu não… É o processo judicial. E depois foi comprovado que quem elaborou o edital, foi uma pessoa que trabalha para as empresas, ou seja, tudo montado. Depois fizeram essas intervenções. Nós que moramos em Brasília sabemos que esse silêncio das empresasque sofreram intervenção é uma demostração claríssima que foi feito um acordo. Se fosse uma cena real, esse pessoal estaria gritando e xingando na televisão e na Justiça. O mais grave foi o subterfúgio utilizado pelo governo de contrariar um decisão judicial, que proibia passar recursos públicos para as empresas privadas. Houve uma incompetência muito forte. O governador está há 2 anos no poder e não consegue organizar isso, no tempo hábil de forma.

Cotidiano - Nossa saúde está um caos. Qual é o seu projeto para organizar?

Izalci - Na saúde o que falta é gestão, mas não é simplesmente falar. Você tem que mostrar. Pra você manter os médicos trabalhando corretamente  com dedicação, a primeira coisa que você tem que fazer é um belo plano de cargos valorizando mais o profissional, mas colocando dedicação exclusiva que é fundamental. E Segundo: tem que ter de fato um mecanismo de gestão dos equipamentos, medicamentos. Se o governador Agnelo fosse colocado para administrar apenas o hospital do Gama, ele teria dificuldade. Ele não tem perfil de gerente administrador.


Cotidiano -  O sr. acha que o GDF gasta mais com propagandas?

Izalci - Quem dera se morássemos de acordo com que essas propagandas demonstram, não é? Seria maravilhoso. Apresentei um projeto que 80% das propagandas dos governos, não só daqui, mas em todo o país tem que ser colocado de foma institucional  de utilidade pública, ou seja, vai fazer propaganda pra educação, sensibilizando o pai a participar mais na escola, a família  acompanhar o aluno no dever de casa e preservar as escolas. Esse marketing tem ficado numa situação mais difícil para o governo. Nesses dias passou uma reportagem sobre a saúde do Brasil, e deram os hospitais de Brasília como referência. Mostravam cenas no hospital de Taguatinga e o de Base. As pessoas reclamando na fila... Seis meses sem consulta. Não tem medicamento. Depois o intervalo do programa aparece uma propaganda do GDF sobre a saúde - tudo bonito e lindo. Por isso que o Agnelo é um dos governadores mais rejeitados.

Cotidiano - Em 2006, o sr. teve um conflito com a ex vice governadora Maria de Lourdes Abadia do PSDB. E saiu do PSDB indo para o PR, mas o partido se aproximou do Agnelo, e o sr saiu. Retornou para o PSDB. Conte-me mais…

Izalci - Eu era líder da oposição aqui no DF quando a Abadia fazia parte do governo. Então tivemos alguns embates. Mas nada contra. Sou aliado dela desde 1998, quando lancei a primeira candidatura para ser deputado distrital.

Cotidiano - Qual é a diferença do governo Arruda e o Agnelo?

Izalci - Não tem como comparar, né? O Arruda é uma pessoa trabalhadora. Tem conteúdo e, além do mais, conhece muito a administração. Ele trabalhava de manhã, de tarde e a noite. Trabalhávamos até no domingo, quando eu era secretario. Esse governo não. A maioria das vezes ele está viajando, tirando férias…

Cotidiano - E o mensalão do DEM?

Izalci - Acho que teve algumas dificuldades de gestão do governo. Fruto inclusive da câmara, porque pra você governar, precisa ter uma relação com a Câmara. E você vê a relação hoje, o que tá acontecendo. Existem mecânismos que são feitos para cooptar a base da Câmara, por exemplo, o show do Amado Batista. Temos também problemas com cargos comissionados.

Cotidiano - E sua opinião em relação ao presidente do PSDB, Aécio Neves?

Izalci - Aécio mostrou para Minas Gerais que ele é capaz de governar bem, com ética e eficiência. Ele valoriza muito a militocracia, ou seja, resultado. Então, ele é o governante ideal pra governar o Brasil, pois o nosso país hoje não tem planejamento.

Cotidiano - A deputada distrital Eliana Pedrosa (PPS-DF) se pré-candidatou para disputar o governo do DF. O que o sr. acha?

Izalci -
Vamos tentar convencê-la a ser candidata no Senado. Estamos conversando. O grande desafio que temos hoje é unir a oposição para que possamos derrotar o PT. O que a sociedade mais quer é tirar o governo PT do poder. Precisamos estar unidos para tirarmos. Estamos buscando um entendimento com o Roriz, Arruda, Eliana, Fraga e Jofran… Para que de fato possamos unir a oposição e tirar os petistas.  

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Gestão Dilma gastou R$ 188 milhões em 2013 com cargos de confiança

Por Hícaro Teixeira

O governo Dilma Rousseff gastou no ano passado R$ 188.557.211,73 milhões de reais em cargos de confiança - os chamados DAS (Direção e Assessoramento Superior). Um aumento de 89% em despesas públicas. No Poder Executivo, o número de cargos chega a 22.495. O governo justifica que estas vagas são ocupadas por servidores públicos de carreira.

Com relação ao primeiro ano da gestão do PT, o número de cargos subiu de 22.103 para 22.465. Em 2011, no primeiro mandato da presidente eram 22.103 cargos com o gasto de R$ 100 milhões. De 2011 a 2013 o calculo total de gastos na gestão de Dilma é de R$ 561 milhões.

O governo federal alega que há um esforço de profissionalização para o preenchimento das DAS, e que mais 70% são ocupados por servidores públicos de carreira. Os cargos de confiança, são vagas em comissão, destinados na administração pública para técnicos com experiência na implementação de políticas públicas. 

Se comparados ao governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1997, eram 17.607 cargos e no final de seu mandato em 2002 o número chegou a 18.374, com o total de gastos de 35.469,4 bilhões. Já com a chegada do governo do Partido dos Trabalhadores (PT) no poder, em 2003, Lula diminuiu para 17.559. Mas a partir de 2004 os cargos aumentaram para 19.083. Em 2010 o total de gastos estava em R$ 92 bilhões com 21.870 cargos.

O governo federal possui 39 ministros - um dos principais questionamentos feito por partidos da oposição. A cúpula do PMDB pressiona o Palácio do Planalto para reduzir o número de ministérios pela metade.